Sobre a MESS

Em criança e menina-moça vestia sempre as roupas das primas. Roupa nova só na Páscoa, quando vinha de comboio de Mirandela para a Trofa para passar a festividade com a avó Lucinda. Era nas feiras que encontrávamos a farpela nova para o Domingo solene.

Na adolescência percebi que o que vestimos também diz sobre quem fomos e comecei a mudar as roupas que surgiram entre primas, que a tia Alice trazia de Inglaterra. Viajavam longos dias de barco até chegarem a mim, em pleno verão. Em Julho era o meu aniversário, mas também era Natal.

Já adulta, versei História e trabalhei em ateliês de costura de Teatro, onde aprendi sobre tecidos e customização. Nunca deixei de comprar roupas com memórias, aprendera com a avó a vasculhar tesouros na feira, um ensinamento precioso para as minhas incursões por lojas vintage.

Anos e vidas passadas e aprendi o amor e a borda, novas habilidades que me devolveram o que havia perdido: respirar lentamente e me espantar.

Com uma abordagem intuitiva e espontânea, desenhar diretamente no tecido, pinto, bordo-o e customizo, é uma maneira de abraçar uma peça de forma pessoal e simbólica. Inspiro-me no quotidiano das pequenas coisas e com alguma poesia e humor faço esboços quase ingénuos.

MESS é o acrónimo do meu nome e procuro que as minhas peças sejam um caos bonito.

Para as minhas criações, tanto de objectos artísticos como de roupa, utilizo tecidos que compro em feiras e lojas de segunda mão (físicas e online). Peças vintage de preferência feitas à mão em linho ou algodão.

Ao longo do meu trabalho procurei valorizar o que é feito à mão e é único. Acredito nos processos sustentáveis: produzir menos com especial atenção à qualidade e aos detalhes seguindo os ritmos de uma tartaruga - lentos e repletos de espanto.